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vas: Bemaventurado aquelle que comer pão no reino 16 de Deus. Mas Jesus disse-lhe: Um homem deu uma 17 grande ceia, e convidou a muitos; e á hora da ceia

enviou o seu servo para dizer aos convidados: Vin18 de, porque tudo já está preparado. Começaram todos á uma a excusar-se. Comprei um campo, disse um, e preciso ir vel-o; rogo-te que me dês por 19 excusado. Comprei cinco juntas de bois, disse ou

tro, e vou experimental-as; rogo-te que me dês por 20 excusado. Casei-me, disse outro ainda, e por isso 21 não posso ir. O servo voltou e contou isto ao seu senhor. Então irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sae depressa para as ruas e beccos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e 22 os coxos. Disse o servo: Senhor, feito está o que 23 ordenaste, e ainda ha logar. Respondeu-lhe o se

nhor: Sae pelos caminhos e atalhos e obriga a todos 24 a entrar, para que se encha minha casa; porque vos declaro que nenhum daquelles homens que foram convidados, provará a minha ceia.

O serviço de Christo exige abnegação.

25 Uma grande multidão o acompanhava e, virando26. se Jesus para ella, lhe disse: Se alguem vem a mim e não aborrece a seu pae, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua propria vida, não 27 póde ser meu discipulo. Quem não carrega a sua

cruz e não me segue, não póde ser meu discipulo. 28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não

se assenta primeiro a calcular a despesa, para ver ! 29 se tem com que a acabar? Para não succeder que,

tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, 30 todos os que a virem, comecem a zombar delle, di

zendo: Este homem começou a edificar, e não póde 31 acabar. Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se assenta primeiro e consulta se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem 32 contra elle com vinte mil? E se não, emquanto o

outro ainda está longe, envia-lhe uma embaixada, 33 pedindo-lhe condições de paz. Assim, pois, todo aquelle que dentre vós não renuncia a tudo o que 34 possue, não pode ser meu discipulo. O sal, na

verdade, é bom; mas se o sal se tiver tornado in35 sipido, como se poderá restaurar-lhe o sabor? Não é mais util nem para a terra nem para o estrume: é lançado fóra. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

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Jesus recebe peccadores.

Approximavam-se de Jesus todos os publica2 nos e peccadores para o ouvir. E os phariseus e os escribas murmuravam: Este recebe peccadores e come com elles.

A parabola da ovelha perdida.

E Jesus propoz-lhes esta parabola: Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma dellas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vae em busca da que se havia per5 dido até achal-a? Quando a tiver achado, põe-n-a 6 cheio de jubilo sobre os seus hombros; e chegando á casa, reune os seus amigos e vizinhos e diz-lhes: Regosijae-vos commigo, porque achei a minha ove7 lha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior jubilo no céo por um peccador que se arrepende, do que por noventa e nove justos, que não necessitam de arrependimento.

A parabola da drachma perdida.

8 Ou qual é a mulher que, tendo dez drachmas1 e perdendo uma, não accende a candeia, não varre a casa e não a procura diligentemente até achal-a? 9 Quando a tiver achado, reune as suas amigas e vizinhas, dizendo: Regosijae-vos commigo, porque 10 achei a drachma que eu tinha perdido. Assim, digovos, ha jubilo na presença dos anjos de Deus por um peccador que se arrepende.

1 Uma drachma valia 315 réis, moeda brazileira.

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A parabola do filho prodigo.

E continuou: Um homem tinha dois filhos. Disse o mais moço a seu pae: Meu pae, dá-me a parte dos bens que me toca. E elle repartiu os seus haveres 13 entre ambos. Poucos dias depois o filho mais moço,

ajuntando tudo o que era seu, partiu para um paiz longinquo, e lá dissipou todos os seus bens, vivendo 14 dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveiu áquelle paiz uma grande fome, e elle 15 começou a passar necessidades. Então foi encostar

se a um dos cidadãos daquelle paiz, e este o mandou 16 para os seus campos guardar porcos; alli desejava

elle fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam, 17 mas ninguem lh'as dava. Cahindo, porém, em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pae teem pão com fartura, e eu aqui estou morrendo de fome! 18 Levantar-me-ei, irei a meu pae e dir-lhe-ei: Pae, 19 pequei contra o céo e deante de ti; já não sou digno

de ser chamado teu filho; trata-me como um dos 20 teus jornaleiros. E levantando-se, foi para seu pae. Estando elle ainda longe, seu pae viu-o e teve compaixão delle e, correndo, o abraçou e bei21 jou. Disse-lhe o filho: Pae, pequei contra o céo e

deante de ti; já não sou digno de ser chamado teu 22 filho. O pae, porém, disse aos seus servos: Trazei

me depressa a melhor roupa e vesti-lh'a, e ponde23 lhe um annel no dedo e sandalias nos pés; trazei

tambem o novilho cevado, matae-o, comamos e re24 gosijemo-nos, porque este meu filho era morto e

reviveu, estava perdido e se achou. E começaram 25 a regosijar-se. Ora seu filho mais velho estava no

campo; e quando voltou e foi chegando á casa, ou26 viu a musica e a dança; e chamando um dos creados, 27 perguntou-lhe que era aquillo. Este lhe respondeu:

Chegou teu irmão, e teu pae mandou matar o no28 vilho cevado, porque o recuperou com saude. Então elle se indignou, e não queria entrar; e sahindo seu

29 pae, procurava concilial-o. Mas elle respondeu a seu pae: Ha tantos annos que te sirvo, sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me déste um cabrito para eu me regosijar com os meus ami30 gos; mas quando veiu este teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para 31 elle o novilho cevado. Replicou-lhe o pae: Filho,

tu sempre estás commigo, e tudo o que é meu é 32 teu; entretanto cumpria regosijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão era morto e reviveu, estava perdido e se achou.

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A parabola do administrador infiel.

Disse Jesus tambem aos discipulos: Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como esbanjador dos seus bens. 2 Chamou-o e perguntou-lhe: Que é isto que ouço dizer de ti? dá conta da tua administração; pois já 3 não podes mais ser meu administrador. Disse o administrador comsigo: Que hei de fazer, já que o meu amo me tira a administração? Não tenho forças 4 para cavar, de mendigar tenho vergonha. Eu sei o que hei de fazer para que, quando for despedido do 5 meu emprego, me recebam em suas casas. Tendo chamado cada um dos devedores do seu amo, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu amo? 6 Respondeu elle: Cem cados de azeite. Disse-lhe, então: Toma a tua conta, senta-te depressa e es7 creve cincoenta. Depois perguntou a outro: E tu

quanto deves? Respondeu elle: Cem coros de trigo. 8 Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta. E o amo louvou ao administrador iniquo, por haver procedido sabiamente; porque os filhos deste mundo são mais sabios para com a sua geração do que os 9 filhos da luz. E eu vos digo: Grangeae amigos com as riquezas da iniquidade, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam elles nos tabernaculos 10 eternos. Quem é fiel no pouco, tambem é fiel no

muito; e quem é injusto no pouco, tambem é in11 justo no muito. Se, pois, não fostes fieis nas rique12 zas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? E

se não fostes fieis no alheio, quem vos dará o que é 13 nosso? Nenhum servo póde servir a dois senhores; porque ou ha de aborrecer a um e amar ao outro, ou ha de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas.

14

Jesus reprova aos phariseus.

Os phariseus, que eram avarentos, ouviam tudo 15 isto, e mofavam delle. Disse-lhes Jesus: Vós sois os que vos justificaes deante dos homens, mas Deus conhece os vossos coraçoes; porque o que é elevado 16 entre os homens, é abominação deante de Deus. A

Lei e os Prophetas duraram até João; desde esse tempo o Evangelho do reino de Deus é annunciado, 17 e todos á força entram nelle. E', porém, mais facil passar o céo e a terra, do que cahir um til da Lei.

18

19

Acerca do divorcio.

Todo aquelle que repudia sua mulher e casa com outra, commette adulterio; e quem casa com a mulher repudiada, commette adulterio.

A parabola do rico e do Lazaro.

Havia um homem rico, que se vestia de purpura e de linho finissimo, e que todos os dias se regalava 20 esplendidamente. E um mendigo chamado Lazaro, 21 coberto de chagas, fôra deitado ao seu portão, dese

joso de fartar-se com as migalhas que cahiam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as 22 ulceras. Morreu o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abrahão; morreu tambem o rico, e 23 foi sepultado. No Hades, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abrahão e a 24 Lazaro no seu seio. E clamou: Pae Abrahão, tem compaixão de mim! e manda a Lazaro que molhe a ponta do seu dedo, e me refresque a lingua, porque 25 estou atormentado nesta chamma. Mas Abrahão

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