Machado de Assis

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Garnier, 1921 - 388 pages
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Popular passages

Page xxi - Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel.
Page 164 - Querida, ao pé do leito derradeiro Em que descansas dessa longa vida, Aqui venho e virei, pobre querida, Trazer-te o coração do companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro Que, a despeito de toda a humana lida, Fez a nossa existencia apetecida E num recanto pos um mundo inteiro.
Page 139 - Antes de principiar a agonia, que foi curta, pos a coroa na cabeça, — uma coroa que não era, ao menos, um chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. O esforço que fizera para erguer meio corpo não durou muito; o corpo...
Page xvii - Tirei-a, vi-a reluzir à luz do sol; não a viu o almocreve, porque eu tinha-lhe voltado as costas; mas suspeitou-o talvez, entrou a falar ao jumento de um modo significativo; dava-lhe conselhos, dizia-lhe que tomasse juízo, que o "senhor doutor" podia castigá-lo; um monólogo paternal.
Page 65 - Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados . . . — Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando.
Page 41 - Ouvirás minha lyra apaixonada, Embora fujas aos meus olhos tristes. Talvez um dia meu amor se extinga, Como fogo de Vesta mal cuidado, Que sem o zelo da Vestal não vinga ; Na ausência e no silencio condemnado, Talvez um dia meu amor se extinga.
Page 57 - SEI DE UMA CRIATURA antiga e formidável, Que a si mesma devora os membros e as entranhas, Com a sofreguidão da fome insaciável. Habita juntamente os vales e as montanhas; E no mar, que se rasga, à maneira de abismo, Espreguiça-se toda em convulsões estranhas. Traz impresso na fronte o obscuro despotismo; Cada olhar que despede, acerbo e mavioso, Parece uma expansão de amor e de egoísmo.
Page 33 - E zumbia, e voava, e voava, e zumbia, Refulgindo ao clarão do sol E da lua, — melhor do que refulgiria Um brilhante do Grão-Mogol. Um poleá que a viu, espantado e tristonho, Um poleá lhe perguntou: "Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho, Dize, quem foi que t'o ensinou?" Então ella, voando, e revoando, disse: — "Eu sou a vida, eu sou a flor "Das graças, o padrão da eterna meninice, "E mais a gloria, e mais o amor".
Page 84 - Aquele vinha ágil, destro, vibrante, cheio de si, um pouco difuso, audaz, sabedor, mas ao cabo tão miserável como os primeiros, e assim passou e assim passaram os outros, com a mesma rapidez e igual monotonia.
Page xi - ... eo melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa, ea hipocrisia, que é um vício hediondo.

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