Revista contemporanea de Portugal e Brazil, Volume 5

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Typografia do futuro, 1865
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Popular passages

Page 514 - Verão morrer com fome os filhos caros, Em tanto amor gerados e nascidos; Verão os Cafres, ásperos e avaros, Tirar à linda dama seus vestidos; Os cristalinos membros e preclaros A calma, ao frio, ao ar, verão despidos, Depois de ter pisada, longamente, Co'os delicados pés a areia ardente.
Page 15 - Corria branda a noite ; o Tejo era sereno ; a riba, silenciosa; a viração, subtil ; a lua, em pleno azul erguia o rosto ameno; no céu, inteira paz ; na terra, pleno abril. Tardo rumor...
Page 17 - Correi ! trazei-m'o! quero contar-lhe o fundo tormento enorme da judia que não dorme a penar d'ignolo amor ! voae ! trazei-me o seu nome, o seu retrato, o seu canto, uma baga do seu pranto . . . que venha ! o meu trovador ! . . . Ai, não ! que ha na minha historia que lhe suavise a tristeza? Nasci na triste Veneza, onde perdi minha mãe ; acalentaram-me...
Page 41 - Grecia, principalmente, mostra-se ai tão serena, tão pura, tão alumiada pelo céo azul da Arcadia, que nos achamos mais de uma vez duvidosos se é um homem do seculo xix que escreve, se um antiquario que publica alguns cantos ineditos de Anacreonte ou Sapho, agora descobertos n'algum templo da Jonia ou do Pireu. Mas não : o poeta moderno vê-se ali, vê-se ali o artista, que estuda tanto, quanto sente, na arte infinita com que soube juntar n'um poema todos os elementos da vida da Grecia patriarchal.
Page 372 - Nada mais? engano-me. Uns frouxos clarões começam a allumiar a um tempo os quatro cantos da cidade, depois vão estendendo a pouco e pouco os seus braços de fogo; afinal, soltando um rugido, apertam a si os edificios ingentes da cidade eterna, e envolvem o Forum n'um manto de chammas. E Nero, que vê, sorrindo-se, o marmore das torres e das estatuas tingir-se de reflexos escarlates, brada: «Faço-te de novo rainha, ó Roma. Eis a tua purpura.
Page 18 - Mar-Vermelho ; d'aquelle... nada ! uns destroços : ruinas, campas sem ossos ! e, ao fundo, Jerusalem ! Meu pae chorava, e eu chorava, vendo morta e sem prestigio, terra de tanto prodigio, maldita agora de Deus Tudo silencioso ! esteril ! tudo vastos cemiterios onde ruinas d'imperios ficaram por mausoleus ! — «Meu pae — disse eu — tenho sêde — «Vê, filha, a aridez do monte ! só Deus dava ao ermo a fonte em que bebia Ismael.
Page 16 - Dormes? e eu velo, seductora imagem, grata miragem que no ermo vi ; dorme— Impossível— que encontrei na vida! dorme, querida, que eu descanto aqui...
Page 16 - Porque esta chama a consumir-me o seio ? Deus de permeio nos maldiz o amor ! . Peito ! meu peito, porque anceias tanto ? pranto ! meu praato, basta já, não mais ! é sina, é sina ! remador, voltemos ; não n'a acordemos . . para quê, meus ais ? . • Dorme.
Page 373 - Desde o aposento de Celia até á arena do Circo, Theophilo Braga nem um instante só sente affrouxar-lhe a imaginação. Não desmentiria talvez Ovidio a descripção do aposento da dama romana, e da sua voluptuosa toilette. Intercalaria ufano Chateaubriand nos seus Martyres o canto, que se intitula as Horas do Ágape, e Eudoro não desdenharia contar a Cymodocéa, depois dos seus combates contra os armoricanos, os combates do heroe de Theophilo Braga contra os lusitanos do monte Herminio.
Page 16 - ... e nunca mais voltou ! Filha d'um povo perseguido e, nobre, que ao mundo encobre o seu martyrio, e crê: sempre Ashevero a percorrer a esphera ! desgraça austera!

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